Secretária de Saúde é exonerada após prisão em operação que investiga fraude de R$ 139 milhões
Dhieine Caminski foi presa no último dia 10 de junho, durante a segunda fase da Operação Falsa Emergência. Na mesma ação, também foram presos o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, e posteriormente a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista no contrato.
A investigação apura indícios de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa no acordo firmado, sem licitação, com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.A defesa de Dhieine disse que não fará manifestação sobre o mérito da investigação, pois o caso corre em segredo de justiça. Também afirmou que ela pediu exoneração para afastar qualquer dúvida sobre eventual interferência funcional.
Além da secretária, o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, também foi exonerado. Assim como Dhieine, a publicação oficial informa que a saída dele ocorreu "a pedido".
As defesas de Dhieine Caminski e Andreis Vicente também informaram que entraram com pedidos para a revogação das prisões. O advogado do superintendente detalhou ainda que, antes da operação, o servidor havia protocolado formalmente o pedido para deixar a Secretaria Municipal de Saúde e retornar ao seu órgão de origem.
As investigações da Polícia Civil apontam que o contrato de terceirização pode ter sido fruto de uma "emergência fabricada" para justificar a dispensa de licitação. Entre as irregularidades apontadas estão a suposta produção de documentos com datas retroativas e a pressão sobre servidores para assinarem pareceres técnicos favoráveis ao contrato, mesmo sem acesso ao plano de trabalho da entidade.No caso de Dhieine Caminski, a Justiça decretou a prisão por conveniência da instrução criminal. Mensagens eletrônicas indicaram que ela teria usado sua posição hierárquica para monitorar e tentar influenciar os depoimentos de subordinados à polícia após o início das investigações.
Contra Andreis Vicente pesou a suspeita de que ele redigiu minutas de pareceres e as entregava prontas para assinatura, sem debate prévio. Ele também foi flagrado utilizando um carro de luxo que teria sido locado pela empresária Cláudia Fernanda, o que a polícia investiga como suposto pagamento de propina.Contrato de R$ 139 milhões segue vigente
Apesar das prisões e das exonerações da cúpula da Saúde, o contrato com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba continua valendo. O acordo, anunciado em março de 2026, previa o repasse de R$ 139 milhões por 12 meses de gestão das UPAs Norte e Sul.O contrato chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO), que identificou um aumento de custos de cerca de 800% (passando de R$ 16,8 milhões para R$ 139,1 milhões anuais) sem justificativa estrutural.
No entanto, o município recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a manutenção da terceirização para evitar riscos de interrupção no atendimento à população até que o mérito seja julgado definitivamente.
Em nota, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha o caso e tem prestado todas as informações requeridas pela Justiça e pela Polícia Civil, ressaltando que o atendimento nas UPAs segue funcionando regularmente. A Irmandade Santa Casa de Itatiba nega irregularidades e afirma que colabora com as autoridades. As defesas dos investigados informaram que buscam a revogação das prisões.
